Voltando então a exercitar o meu senso crítico de amador desesperado, o filme escolhido para reviver mais uma vez os posts sobre filmes no Limoeiro não poderia ser nada mais nada menos do que o polêmico Religulous (2008). Comecei a assistir este filme em mais uma das polêmicas reuniões do PET-EE e só o acabei realmente ontem. Apesar de ser um filme relativamente "velho", seu assunto e a mensagem que o apresentador Bill Maher tenta nos mostrar (com alguns toques de sarcasmos e zombaria brutais) é tão atual e controvérsia que existem pessoas que simplesmente têm medo de discutir sobre o assunto.
Utilizando um humor ácido, pesado e "religiosamente incorreto", Bill Maher apresenta um documentário cujo principal objetivo é o de questionar a religião vista como um todo. Já no início do filme é possível de se prever a zombaria que virá a seguir quando Bill, sob as planícies de Meggido, pronuncia as célebres palavras:
" Quando o Apocalipse foi escrito, somente Deus tinha o poder de acabar com o mundo, mas agora o homem tem, pois infelizmente, antes do homem descobrir como ser racional ou pacífico, ele descobriu armas nucleares e como poluir numa escala catastrófica. E se tem algo que eu odeio mais do que profecia, é profecia auto-realizada".
" Quando o Apocalipse foi escrito, somente Deus tinha o poder de acabar com o mundo, mas agora o homem tem, pois infelizmente, antes do homem descobrir como ser racional ou pacífico, ele descobriu armas nucleares e como poluir numa escala catastrófica. E se tem algo que eu odeio mais do que profecia, é profecia auto-realizada".
Bill Maher não poupa palavras nem jargões para atacar todo e qualquer tipo de religioso que encontra pela frente. Ao entrevistar um ator que interpretra Jesus em uma peça religiosa numa espécie de "parque de diversões cristão", podemos ver que o pessoal religioso não é lá muito fã de Bill quando a agente de relações públicas do evento aparece emputecida na frente das câmeras.
O mais interessante do filme não é a forma nem o humor absurdamente brutal que o nosso apresentador usa contra os religiosos, mas sim toda a mensagem que ele procura mostrar de uma maneira cética e bem-humorada (nem para todas as pessoas), incentivando a todos aqueles ateus e céticos a "saírem do armário" e debaterem questões que permanecem adormecidas pela simples comodidade ou total dominação do meios religiosos na sociedade atual. É claro que Bill é um ateu de carteirinha que procura fazer de tudo para acabar com o argumento de toda e qualquer pessoa que se opõe às suas idéias. Mas, como aquele mercador que também quer vender seu peixe, as ações de Bill tornam-se perfeitamente normais e plausíveis se olharmos para o outro lado da moeda e verificarmos que a mesma filosofia argumentativa e manipuladora é utilizada para mobilizar milhões de fiéis no mundo todo.
O que mais me chamou a atenção em Religulous não foi nem as piadas ou as idéias de Maher, mas sim a forte de presença de dois padres bem diferentes. Um deles, PHD em Astronomia e líder do Observatório do Vaticano ao contar que as escrituras foram elaboradas numa época em que "não se conhecia Ciência" e outro padre que não usa colarinho e não mede esforços para dizer que quase a totalidade da prática religiosa no mundo é ultrapassada e não serve para a sociedade atual.
Religulous não é um filme para ser 100% seguido à risca. O filme até conta com alguns erros históricos ao tentar citar outras personalidades míticas cujos detalhes históricos assemelham-se a Jesus Cristo. Acima de tudo, deve ser interpretado do ponto de vista do Maher, que desesperadamente procura mostrar a sua noção sobre religião para o público. Uma atitude corajosa e bem inusitada, visto que é um assunto que a maioria de nós procura deixar em banho-maria por até o final de nossas vidas. Enfim, assista Religulous e tire suas próprias conclusões se deve, ou não, apoiar a "cruzada" de Bill Maher contra a Religião.


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