Já é histórico dentro da Humanidade que a unipolaridade e a bipolaridade não funcionam. Parece que quanto mais avança o tempo, maior é a tendência de observarmos o comportamento simultâneo de entidades e ideologias que divergem de maneira extrema. A convivência com mentes que pensam diferentes satisfaz a sede que o Homem possui por transceder as passagens básicas da vida, a rotina que nos prende num cubículo de ações e pensamentos. É por isso que adentro na reflexão de que a multipolaridade, a divergência, a discussão, o caos ideológico, tudo isso é o que fomenta os motores da criatividade e do desenvolvimento da Humanidade.
Sempre fui alguém que durante o início do processo de desenvolvimento mental, tão comumente chamado de adolescência, fui absorvendo ideias de diversos lugares e personalidades. Meus ídolos eram todos aqueles que algum dia eu me observaria no lugar deles. Eu me inspirava em entidades que pensavam de um jeito e fomentava o seu pensamento dentro da minha própria cabeça. Assim como tantos jovens de quinze e dezesseis anos, eu era unipolar. Só enxergava aquilo que eu queria ver e discutia aquilo que eu podia argumentar para o meu lado. Todos nós fomos assim um dia e há uns que são desse jeito e nunca mudarão.
Mas, assim como o mundo pagou um alto preço para provar que Unipolaridade e Bipolaridade não funcionam, este preço também se reflete na personalidade humana à medida que percebemos que o nosso ego já não é capaz de se fechar dentro de uma só ideia ou pensamento. Lembre que não é uma questão de se viver isolado. Nada do discutido se diz respeito ao modo de vida de uns ou à forma de se relacionar de outros. É tudo um assunto que trata da Mente, da Ideologia e da capacidade de aceitação que o ser humano deve carregar consigo de que somos todos diferentes somente em espírito.
No meu caso, o processo de multipolarização se deu com o recurso da música que eu apreciava. Me cresci voltado para o lado do Rock e de todas as cenas que poderiam aparecer nas bandas noturnas da minha cidade. De lá eu absorvi e ouvi ideias de cabeças que não pensavam que nem eu. De cabeças, umas tão unipolares, que me mostravam diferentes lados de um só assunto e pensamento. De lá pra cá eu absorvi tudo e só hoje eu tiro a conclusão de que sou multipolar, de que não preciso seguir religiosamente uma linha de pensamento. Eu mudo na medida que sou apresentado a questões que me cutucam a mente e transformam tudo aquilo que eu havia concretado com lições e diálogos anteriores. Tudo isso é fruto da convivência de formas e tipos diferentes de pensamento, de personalidades. É o que falta pra tudo. É o que falta no mundo. Falta diálogo, compreensão e horas de sinuca, cerveja e conversa.
Deixemos de lado as nossas ideologias, nossos pensamentos. Fomentemos a discussão, criemos o caos civilizado utilizando a razão e o engrandencimento do espírito virá naturalmente. Nada evolui se não confrontado de frente.
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