sábado, 17 de setembro de 2011

O Ceticismo que rola pela internet

    Extraterrestres, religião, deuses, fantasmas... Pseudociência. Muitos dos sites que relacionam ceticismo ou agnosticismo parecem pregar fortemente diversas matérias sobre os mesmos assuntos. Há uma infinidade de material na internet onde você encontrará:

- Notícias sobre extraterrestres;
- Notícias sobre extraterrestre sendo comentadas;
- Notícias comentadas sobre extraterrestres sendo desmitificadas;
- Fotos de fantasmas;
- Fotos de fantasmas sendo desmitificadas;
- Milhares de coisas sobre pseudociência sendo comentadas fortemente;

    E eu me pergunto: Por que tudo isso? Será que todos os céticos da internet sentem uma necessidade de comentar assuntos que não possuem embasamentos científicos? Seria este o único objetivo do cético, comentar assuntos que ele não acredita, divulgar ainda mais matérias sobre pensamentos fúteis e crendices de cárater duvidoso? Faço todas estas perguntas por que particularmente discordo do ponto de vista de muitos céticos e "defendedores da verdade" que circulam pelo mundo virtual. Dezenas de websites "céticos" nada mais são do que um monte de comentários sobre UFO's, Fantasmas e idéias banais mais do que batidas sobre religião. A real comunidade cética parece não se despertar dentro do âmbito da Internet. O real conteúdo e a definição de ceticismo parece passar longe de matérias e artigos que orgulhosamente se dizem céticos.Onde está a Ciência de verdade? Será que para ser cético é realmente necessário comentarmos "religiosamente" assuntos de caráter pseudocientífico?

    Para tentar ilustrar o pensamento, Richard Dawkins em "Deus, um delírio" já no prefácio do livro questiona a posição de várias pessoas que se dizem atéias. Para isso, ele utiliza do genial jargão "Sou ateu, MAS...". Na língua portuguesa,  o MAS é um conector que nos permite transmitir uma idéia "oposta" ou "o outro lado da moeda" de um determinado assunto. Dawkins utiliza desta propriedade da comunicação da escrita para tentar ilustrar a idéia de que muitos defendedores e praticantes do ateísmo, e isto também vale para todo o ceticismo de uma maneira geral, possuem sempre algum outro ponto de vista sobre o que realmente é ser ateu (ou cético),e tudo isso acaba por distorcer a real definição da palavra. Ou ainda pior, acabam por tornar a prática do ceticismo como sendo somente uma caça infinita à assuntos mirabolantes ou a polêmicas que todo mundo gosta de ouvir em uma roda de debates. O ceticismo e a ciência estão intimamente ligados em qualquer conteúdo que fale a respeito de um ou do outro, mas não é isso o que acontece em sites por aí.

   Experimente teclar no Google a palavra "ceticismo" e você encontrará milhares de sites falando de assuntos assustadores, grandes mistérios da humanidade, mas dificilmente algum deles lhe mostrará uma real matéria sobre ciência. É o que está faltando para a internet. A geração de conteúdo dentro da web marca uma série de palavras que usamos para buscar a infinita quantidade de informação disponível, e a imensa quantidade de assuntos que envolvem ufologia, criptologia ou paranormalidade com a palavra "cético" é tão imensa que acaba por transformar a própria definição da palavra. Ser cético torna-se sinônimo de uma pessoa chata, questionadora, que só fala de assuntos de dupla opinião. Ser cético é muito mais que isso. É abraçar a ciência e a fundametar-se em pilares confirmados dentro do âmbito da física, da biologia e das demais ciências de verdade. Se você só questiona, argumenta e fala dos mesmos assuntos e de fato não aplica ou ne conhece a ciência de verdade, sinto muito, mas você só está aplicando uma pequena fração do que é o ceticismo.

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