domingo, 11 de setembro de 2011

Zona de Conforto

    Mais do que Rotina, a Zona de Conforto é outro mal que atormenta corporações inteiras. Na realidade, Rotina, Stress, Zona de Conforto e todos os problemas da nossa sociedade 3.0 estão conectados, nos proporcionando horas de sono perdido, estagnação mental e a estupenda habilidade de nos tornarmos zumbis à medida que nos mantemos na inércia. Para primeiro compreender melhor o contexto deste texto, gostaria de mostrar aqui um vídeo sensacional sobre criatividade que andei assistindo pelos confins do Youtube num dia desses:



    O que o vídeo tem a ver com a tal Zona de Conforto? Justamente a criatividade. Quando nos inserimos em um meio qualquer, seja um grupo de trabalho, uma sala de aula, um grupo de estudo ou até mesmo um ambiente virtual onde as discussões permanecem estagnadas em assuntos viris e de fácil debate e argumentação, vamos adquirindo uma certa especialidade em diálogos que nos proporcionam a vantagem da boa falácia em determinadas conversas. A experiência e a habilidade vão nos deixando cada vez mais acostumados, e o processo, que em tese deveria proporcionar um engrandecimento pessoal com o surgimento de novas idéias, torna-se um processo quase que mecânico, estéril de inovação e totalmente desprovido de qualquer outro fator propulsor. É quando chegamos na Zona de Conforto, o lugar no qual nosso cérebro gasta muito menos óleo e energia para funcionar. A Rotina, a Burocracia e todas aquelas reuniões semanais que não nos puxam mais a atenção ou que conseguimos facilmente prever o andamento destas antes mesmo de começá-las são fatores decisivos que matam a maior virtude da Humanidade: a Inovação. 

    A Zona de Conforto é mais natural do que deveria acontecer. Na maioria dos grupos de trabalho e corporações, onde o trabalho em equipe é um fator necessário para mover a engrenagem, a Zona instala-se de uma maneira rápida e cruél. Por conseguinte, somos transportados para um meio que nos deixa cada vez mais lentos, menos motivados e sem a menor perspectiva de que algo vá acontecer fora da nossa caixinha corporativa. Nos tornamos meros zumbis empresariais, contentados somente com as necessidades básicas de nosso meio de produção, criaturas desprovidas de motivação e criatividade. 

    Mas como fazer para evitar a Zona de Conforto? Tá certo que eu não sou nenhum especialista em situações corporativas e muito menos alguém que não possui e nem opera fora da sua própria Zona de Conforto. Todos nós de certa forma trabalhamos dentro da Zona e sequer nos damos conta. Ou você acha que a aquela preguiça e maleza que te ataca quando alguém te pede um favor enquanto você está no trabalho é fruto de que? É a Zona de Conforto te puxando mais uma vez para dentro dela, como um buraco negro puxa a luz para si. 

    Enfim, julgando pelo meu ponto de vista e pela minha quase nenhuma experiência de trabalho, acredito que a Zona pode (e deve) ser combatida com o trabalho de equipe. Uma ideia interessante, mas que também depende da natureza do trabalho onde se encontra, é a subdivisão do grupo em grupos cada vez menores, responsáveis por gerenciar e melhorar certas situações e afazeres. Não se trata de engessar ainda mais o ambiente de trabalho em subdivisões burocráticas, mas sim de proporcionar dentro de um só ambiente a formação de equipes que fomentem e discutam idéias que não estejam relacionadas entre si, para depois, agora com o grupo todo, tentar formalizar um só pensamento baseado nas experiências obtidas dentro de cada subgrupo. Complicado? Bom, procure entender pelo ponto de vista dos salões parisienses citados no vídeo. O autor os cita como "motores de criatividade". Julgando pelo espaço geográfico e pela estética conceitual do que realmente é um salão parisiense, acredito que a criatividade surgia devido à grande concentração de subgrupos que discutiam ideias diferentes ou sob pontos de vista que se conflitavam entre si em determinada situação. Após alguns vinhos e peti gateaus, todos estes subgrupos de certa forma discutiam suas ideias para fundamentalizar algo maior do que elas próprias, lembra-se? 

    Seguindo pela lógica dos salões parisienses, pode ser uma grande técnica de combate à Zona de Conforto, fomentando discussões de assuntos que possam algum dia melhorar ainda mais as condições de trabalho ou de formatação do processo criativo dentro de uma corporação. Em um mundo corporativo onde a inovação é crucial para o desenvolvimento profissional e pessoal do ser humano, tudo é válido na batalha contra os maiores males da sociedade 3.0.

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