quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Crítica: Super (2011)

    Diferente de outros filmes do gênero, Super aparenta ser uma comédia trash sobre super-herois à primeira vista. Com muito sangue e mutilações dignas de clássicos trash oitentistas, o filme desemboca um humor negro em quase todas as cenas "engraçadas". Já nos primeiros minutos podemos perceber que a trama toda se desencadeará durante uma série de atitudes frustradas do protagonista no maior estilo no-sense. 
    Super trata da vida de Frank Dorbe (Rainn Wilson), um cidadão fracassado e ridicularizado por todos, que vê a sua vida mudar completamente depois de vestir uma roupa de colante vermelha e sair abrindo a cabeça de criminosos com uma chave inglesa no seu alter-ego heroico Crimsom Bolt. A forma como Frank espanca os seus adversários em situações cada vez mais surtadas pode ser realmente impressionante para aqueles que não acreditam que uma trama é capaz de ficar cada vez mais absurda com o passar do tempo. A imaginação dos roteiristas realmente fluiu de tal maneira que podemos perceber flutuações de "absurdismo" no enredo, mescladas com vários diálogos sérios e até uma série de partes dignas de uma certa reflexão.
    Vale lembrar que para assistir Super, o expectador deve vir preparado para a enxurrada de humor artificial e forçado, como todo filme trash deve ser. Essa é a pegada diferente em Super. Ele possui apenas "pitadas" de trashismo, utilizadas nas cenas mais marcantes do filme, mas não chega a ser totalmente do gênero. O enrendo totalmente imaginativo e surtado cai como uma luva no humor ácido que nos é apresentado.

   Outro aspecto interessante é a forma de como sentimos dó do protagonista. Por mais imbecil que possam parecer todas as situações do filme e a forma de como o protagonista é colocado como sendo um estúpido completo, é possível sentir o sofrimento do personagem e a sua total tristeza em relação à sua "vida inútil".

    Algumas atuações à parte, Ellen Page realmente rouba a cena em várias situações com a sua personagem Libby e seu comportamento hiper-ativo e neurótico. Em muitas das cenas a ação se desenvolve graças à atuação frenética de Page, com suas caras, bocas e cambalhotas desengonçadas dignas de boas risadas. Dois nomes poderosíssimos como Kevin Bacon na pele do vilão e Liv Tyler na da mocinha formam o elenco. Apesar do grande nome dos dois, fica difícil de se analisar a atuação deles. Seus talentos poderiam ter sido muitos mais aproveitados caso não fosse a tamanha dose de coadjuvantismo empregado no filme, algo que é uma lástima ao ver dois grandes atores do cinema empregando papéis que poderiam ter sido preenchidos facilmente por gente inferior, e por vários dólares a menos. 
    No final das contas, Super acaba sendo um grande entretenimento para quem curte cenas grotescas e humor ácido, algo raro hoje em dia. A ironia por trás da figura do alter-ego Crimsom Bolt e toda a trama pesada e séria que se desenrola deixa claro que Super, acima de tudo, é um filme surtado com um ar de dramático. Se você deseja ver brigas, sangue, explosões, dar boas risadas e ainda sim encontrar uma história legal e apreciável, Super é válido. 

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