sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Dica de livro: Admirável Mundo Novo

     Eu já devo ter falado uma ou duas vezes deste ÉPICO de ficção científica que, na minha opinião, deve ser leitura obrigatória nas escolas. A capa que ilustra este post é de uma edição de 1969 (note o circunflexo em "nôvo"), relíquia que eu acabei achando por acaso quando tinha os meus 16 anos, na antiga estante de livros de minha mãe. Naquela época, eu ainda não conseguia absorver a tamanha reflexão e impacto que este livro nos oferece. Ainda mais, acredito que a cada leitura que se realiza desta obra, descobre-se ou se reflete em mais um aspecto ainda não notado, e algo como um liquidificar de ideias surge em sua mente, mudando todo o conceito que você já havia elaborado para o livro.
     Admirável Mundo Novo fala de uma civilização humana futurista, uma utopia onde as pessoas são geradas em laboratório e o simples conceito de pai e mãe são considerados hediondos e grotescos pelos habitantes daquele mundo. Um mundo onde não existem emoções, onde cada pessoa nasce com um determinado propósito dentro da sociedade. Propósito este que é responsável por definir as características físicas e mentais dos indíviduos. Operadores de máquinas são programados como operadores de máquinas, logo, não precisam das outras faculdades mentais que não remetem à sua atividade laborial perpétua. E o pior de tudo: todos são programados para aceitarem pacificamente aquilo que estão fazendo. 
    Esta é a grande sacada por trás de Admirável Mundo Novo: reclamamos tanto de uma sociedade impulsiva e emocional que às vezes pensamos que tudo seria muito melhor se não houvessem nada como o amor que gera tristezas e perdas ou a raiva que nos proporciona carnificina e guerras. E de fato o é, porém nada nos diz que seria belo. O mundo utópico criado por Aldous Huxley nos mostra uma sociedade controlada desde o nascimento através de padrões que impossibilitam o surgimento de revoltas, onde não existem crimes, desperdício ou poluição. Todos os indíviduos são programados para contribuirem ao coletívo e até mesmo o conceito de morte é algo completamente aceitável por todos. As crenças não existem mais (não que eu reclame disso) e a necessidade de afeto ou carinho é substituída por uma pequena pílula azul, o Soma, cujos efeitos químicos proporcionam bem-estar e prazer, tudo sem efeitos colaterais. Tudo isso nos remete à uma sociedae controlável através do prazer e da diversão. Uma sociedade que aceita o seu propósito e que jamais romperá com seus dogmas.
    No meio de toda essa bizarrice, Huxley introduz um personagem do "nosso mundo", um "nativo" das chamadas "areas de preservação", onde existem pessoas cujo modo de vida assemelha-se ao nosso. Utilizando da técnica do choque de duas realidades, o autor utiliza o "nativo" como elemento de comparação entre o nosso mundo e a utopia Huxleyana, é deste enorme diálogo e da tremenda riqueza de detalhes deste novo mundo que é o que faz com que as nossas próprias ideias sobre a sociedade são postas contra a parede. Acredito que quem ler pela primeira vez o livro talvez não consiga captar muito dos pensamentos de Huxley, ou da forma como ele nos aponta a "técnica de controle perfeito". Mas uma coisa é certa, Admirável Mundo Novo é épico não por ser uma demonstração grotesca de uma sociedade robótica, mas sim por nos mostrar certas coisas que podemos claramente observar dentro da nossa própria sociedade. Como diria na contra-capa do livro: " Um futuro não tão distante e assustador". Estaria Huxley certo este tempo todo? Bom, por enquanto o Facebook já é azul...
    Enfim, vou me abster aqui de comentar a obra, pois palavras e textos não faltarão aqui no blog sobre Huxley e seu livro. Para você que curte levar uns nós na cabeça, este livro é o certo. Algo que você não verá em faculdade nenhuma. Vale a pena.

1 comentários:

@fgabrantes disse...

tive a sorte de ler esse livro na versão em inglês, um livro muito a frente da época dele.

mais um daqueles escritores que tinham o dom de escrever a ficção científica, misturando uma crítica a sociedade.

Um dos meus livros preferidos.