Stephen King sempre esteve na lista dos meus autores favoritos. A forma de como ele coloca os elementos surtantes em suas histórias e algo magistralmente épico. King consegue tirar o terror em lugares, situações e personagens mais bizarros e absurdos. Uma prova de sua habilidade está em A Coisa, volumão de quase 900 páginas. A história conta a tragetória de um grupo de 7 crianças que se conhecem por acaso em um pacato verão, na cidade fictícia de Derry, onde recentemente tem ocorrido uma série de desaparecimentos e assassinatos extremamente violentos com crianças. Eddie, Beverly, Richie, Ben, Mike, Bill e Stan se reunem e conseguem derrotar a misteriosa e brutal entidade que se alimenta do medo. 30 anos depois, A Coisa está de volta para aterrorizar Derry, e as 7 crianças, agora adultos, voltam à Derry para cumprirem uma promessa de sangue.
É uma história com vários pontos altos. Não é só pelo gosto do terror e da bizarrice das histórias de King que A Coisa deve ser lido. É também um relato de um grande pedaço da cultura dos EUA, que se desmitifica e vai aparecendo à medida que nossos personagens vão adentrando nos aspectos culturais estado-unidenses. Também fala de amizade, esperança, de todos aqueles valores de infância que muito de nós esquecem ou acabam por não dando importância nenhuma à medida que crescemos. Tudo isso ambientado com todo o suspense que só King conseguiria elaborar.
Outro diferencial do livro é a forma de como a narrativa é mostrada para o leitor. Ela varia entre dois períodos cronológicos diferentes, juntamente com uma prosa do diário de Mike e toda a sua investigação para tentar compreender o que é de fato A Coisa. Temos a década de 50, onde há o período da infância dos personagens principais, ambientado no medo natural da criança ao desconhecido, em problemas de relacionamento escolar, bullyings e até mesmo a personificação da mãe super protetora nos é mostrada. A trama então varia entre uma história da década de 50 e a outra ambientada na década de 80, onde os personagens já adultos convivem com seus problemas pessoais mundanos, suas aflições, seus sonhos nunca realizados. É por isso que digo que A Coisa não é somente mais uma história de terror para encher a imaginação dos leitores, ela fala sobre todo aquele período de transição onde nossos pensamentos são moldados à medida que os aniversários vão passando. Nossos sonhos e nossos medos mais primitivos, os terrores mais misteriosos da nossa infância que guardamos no fundo de nossas mentes, tudo isso é relatado em A Coisa, para tentar nos mostrar que até mesmo a mente racional e moldada de um adulto pode sucumbir quando exposto aos seus maiores traumas infantis. Vale todas as 900 páginas.
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