domingo, 15 de janeiro de 2012

[Crítica] Sherlock Holmes 2 : O Jogo de Sombras

Quando me deparei com o primeiro filme sobre Sherlock Holmes, dirigido por Guy Ritchie, eu de cara já esperava várias cenas de ação e pancadarias à moda inglesa de se fazer brigas. Enquanto o primeiro filme buscou focar a ação com base na forma inusitada de raciocínio da Lenda Inglesa estrelada por Robert Downey Jr., "Sherlock Holmes 2 : O Jogo de Sombras" ainda continua a refumegar este ato, juntamente com um jogo rápido de cenas que conseguem transmitir ao expectador a imensa capacidade de dedução do personagem de Sir Arthur Conan Doyle. 

Com uma pegada muito mais agitada do que a que pode ser encontrada nos livros e histórias, o segundo filme de Downey Jr. na pele do detetive acaba levando o lado da ação e de confrontos corpo à corpo de maneira muito mais intensa do que os leitores de Holmes estarão habituados. Não que eu tenha lido todas as histórias do detetive, mas acredito que um pequeno arsenal de 4 histórias verdadeiramente importantes para o personagem talvez seja suficiente para tentar traçar um perfil sereno da maneira de Conan Doyle para escrever sobre Holmes. 

Ademais, não há como comparar o Sherlock Holmes de Guy Ritchie com os de demais diretores. De fato, o personagem já passou pela mão de tantas pessoas dispostas à utilizar a figura de Conan Doyle que até Jô Soares se dispôs a criar o seu Sherlock Holmes muito mais humorado do que o habiutal em "O Xangô de Baker Street". Downey Jr. parece não esconder de propósito o seu lado "Tony Stark" de ser e acaba por incorporar um personagem excêntrico, com um humor rápido digno do Homem de Ferro. Junte isso à característica de alta capacidade de dedução e intelecto, adicione o modo Guy Ritchie de se fazer filmes e você tem um detetive que além de ser brilhante no que faz consegue prever todos os movimentos dos seus oponentes, sendo capaz de chutar a bunda de qualquer barra pesada. Este é o Holmes criado por Guy Ritchie, que não poderia ter escolhido ator melhor do que Robert Downey Jr.

Análises de comportamento de personagens à parte, o filme puxa bem mais para o lado da ação do que para o lado da dedução. As conclusões complexas e observações quase que impossíveis parecem ter desaparecido dos interesses principais do diretor. É claro que ainda assim conseguimos ter de fato "O Jogo de Sombras" na trama, mas um jogo regado com muito tiroteio e pancadaria. Jude Law que o diga. Seu Dr. Watson parece realmente um veterano de guerra capaz de manusear qualquer instrumento bélico, inclusive os grandes. 

Enfim, a nova cara de Sherlock Holmes nas telonas de fato não condiz muito com a realidade dos livros, mas mesmo assim a trama consegue ser em boa parte fiél às palavras do autor do detetive. Porém, para um blockbuster holywoodiano, Sherlock Holmes 2: O Jogo de Sombras, não poderia ter escolhido melhor diretor do que Guy Ritchie. É, no mínimo, mais uma interpretação peculiar das ações do detetive mais brilhante do mundo.


1 comentários:

João Vítor disse...

Ótimo texto!
Ansioso para assistir o filme!
Abraço