domingo, 22 de janeiro de 2012

[Dica de Livro] As Crônicas de Gelo e Fogo - A Guerra dos Tronos


Depois de falar sobre George R. R. Martin no post anterior sobre literatura fantástica, não poderia deixar de falar um pouco mais da complexidade do primeiro volume de suas Crônicas, agora que tive a oportunidade de terminá-lo. A Guerra dos Tronos é um romance diferente, não só por ser de literatura fantástica e por retratar uma realidade medieval muito mais elegante que a verdadeira, mas por diversos outros aspectos que compõem o núcleo da histórias. Tramas paralelas e a grande coragem que o nosso autor tem de liquidar personagens centrais, tudo para manter o mistério que se desenrola, são as formas fundamentais de trazer ao leitor a sensação de não-linearidade do romance. A não existência de um protagonista central e a total mudança de personalidade das personagens transmitem a sensação de onipresença extrema. Entre um capítulo e outro, é possível de se perceber com detalhes o tempo que se passa durante o desenrolar da história. 

Em termos de construção de texto, é um livro curioso. George R. R. Martin parece incorporar alguns elementos da narrativa tolkeana e descreve de forma bem conotativa as aspectos físicos que fundamentam os cenários.  Porém, diferente de Tolkien, que escreve o farfalhar das folhas de uma árvore como se fossem sensações humanas, Martin coloca-nos na perspectiva do personagem que está presente, transmitindo o pensamento deste sobre as pequenas coisas ao seu redor. Desta forma, podemos perceber como as personalidades e características de cada um são diferentes. Às vezes o mesmo fenômeno aparece várias e várias vezes, como o vento batendo no rosto ou o cansaço sobre as pernas, mas cada personagem parece interpretá-lo de maneira diferente, de acordo com as suas limitações físicas. Um guerreiro sente uma "forma de cansaço" diferente da de Tyrion Lannister, o personagem anão da série, assim como Tyrion executa suas ações com todo o seu intelecto, desprovido de vantagem física.

Cada capítulo é destinado a um personagem, porém não é possível de se acompanhar a vida de cada um sem saber o que se desenrola na vida dos outros. Como eu havia falado, a narrativa é ditada de acordo com as características e as feições e sensações são diferentes para cada um deles. É uma das coisas que mais adorei no livro. É possível de se traçar um perfil muito grande de cada um e Martin nos coloca numa narrativa onde não se é possível determinar quem é o heroi e quem é o vilão. É tudo um jogo de interesses, uma verdadeira guerra dos tronos

Tratando-se da trama em si, não entrarei em muitos detalhes para não dar spoiler. O clima medieval é de peso, e todos os personagens ficam à merce do ambiente e das condições da natureza. O autor descreve com maestria os cenários, e alguns outros são tão complexos e vivos de detalhes que muitas vezes me vi lendo a descrição mais de uma vez para conseguir imaginar de certa forma efetiva tudo o que se passava. É uma forma de realismo que só as histórias de fantasia são capazes de contar. Ademais, a forma adulta e as características habituais de um período feudal estão bem presentes nos elementos da série. Temos incesto, lutas por posse de terras, nobres que não fazem nada e comerciantes ambulantes que vagueam pelos Sete Reinos. O povo em si não é muito retratado, sendo somente mais uma parte do cenário, já que o foco é a Nobreza e a aristocracia da época.

Sem nenhuma desvantagem que seja possível de se discutir, o romance de Martin é sensacional. Consegue ambientar perfis psicológicos únicos, descrição de cenários entorpecentes e uma criatividade fabulosa e estupenda para descrever cada passo do seu universo medieval. As Crônicas de Gelo e Fogo é, sem dúvida, literatura obrigatória para todos os amantes do gênero

1 comentários:

Ti Carioca disse...

Seu post é legal, a única coisa que mudaria é que não se trata de uma Guerra dos Tronos, como nossa péssima tradução brasileira colocou, mas um Jogo dos Tronos. O livro é muito mais político do que bélico!