Com o término da sexta temporada de Dexter, acabei tendo mais um daqueles pequenos desinteresses por seriados. Nunca fui de assistir tantos ao mesmo tempo. Tentei alguns outros, mas pareciam que não me chamavam a atenção. Então resolvi assistir Sherlock, nova série da BBC que estreiou em 2011. Demorou pouco tempo dos longos epísodos de 1 hora e 30 minutos para ver que a série tinha fundamento. Ao terminar a primeira temporada de três episódios, concluí que já seria uma das minhas séries favoritas e uma das mais interessantes que eu já vi.
Como o próprio nome já diz, Sherlock é inspirado nos trabalhos de Sir Arthur Conan Doyle e ambienta com maestria os casos de Sherlock Holmes e o Dr. Watson nos tempos de hoje, em uma Londres do século XXI. A série consegue ser bem fiél aos trabalhos, deixando intacto o núcleo de todas as histórias, desde a origem da parceria com Watson até a apresentação do seu arqui-inimigo, Moriarty. O fantástico é que tudo isso vem incorporado com elementos da nossa época. E-mails, websites, pendrives e toda a facilidade de comunicação e o ir e vir de informação são adaptados à trama, deixando a impressão de que o Sherlock de fato faz parte do nosso tempo. Uma das características mais marcantes é o excessivo uso do celular e de mensagens de texto que aparecem durante os episódios. Até mesmo as pistas e peças-chaves dos crimes são substituídos por aparelhos eletrônicos diversos, pagers e pendrives. Quem é fã ou já leu algumas das obras citadas na série com certeza não vai se decepcionar ao perceber a extrema fidelidade, revigorada e sustentada pela tecnologia de 2012. É algo magnífico poder contemplar as obras de Conan Doyle e ver que existem pessoas dispostas a universalizar todo o enredo por trás de Sherlock Holmes de maneira inteligente e esplêndida.
Falando do elenco, Martin Freeman como o Dr. Watson consegue dar vida à curiosidade do nosso ex-soldado e médico de guerra (o que já era esperado do ator escolhido para viver Bilbo Bolseiro, em "O Hobbit", de Peter Jackson), sempre perguntando ou tentando chegar ao mesmo ponto de vista do seu parceiro Sherlock. O ator Benedict Cumberbatch parece que é possuído pelo personagem e mergulha em todo o comportamento enigmático e nada modesto do gênio da dedução, interpretando desde as longas pausas entediantes que enlouquecem a mente de Sherlock às feições e expressões que o detetive faz ao solucionar um caso. Vou mais além e digo que prefiro muito mais a interpretação do Sherlock frio, dedutivo e austero de Benedict do que aquele que encontramos no filme de Guy Ritchie, com Robert Downey Jr.
A série é tudo aquilo que os fãs do detetive procurariam. A prova de deduções complexas e das adivinhações impressionantes de Holmes é algo que levaram bem a sério, para o deleite dos fãs, deixando o expectador com aquela sensação de total ignorância quando Holmes aponta os ínfimos detalhes que formam a teia de pistas e informações cruciais para a solução do mistério. Misturado com pitadas de humor inteligente e passagens cômicas durante as cenas de tensão, Sherlock sem dúvida consegue ser um fenômeno aos olhos do expectador, tornando-se mais uma nova e excelente fonte de entretenimento baseada nas obras de Conan Doyle e dos romances policiais do detetive mais brilhante do mundo. Com certeza é um material que não pode faltar para os fãs de séries policiais e de Holme. Recomendo imensamente. A série atualmente encontra-se na sua segunda temporada e os episódios vão ao ar usualmente aos domingos.

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