terça-feira, 3 de janeiro de 2012

George R. R. Martin, literatura fantástica e alguns clássicos do gênero

Quem me conhece sabe o ligeiro fascínio que possuo pela literatura fantástica. Li "O Hobbit" e "O Senhor dos Anéis" já na oitava série e desde então parece que não consigo me desapegar de toda a mística e a bagagem cultural que habitam romances deste gênero. É evidente também que este gênero vem assumindo uma severa importância no ramo da literatura mundial desde os primórdios do século XX. Alguns dizem que foi J. R. R. Tolkien que "fundou" o gênero, sendo considerado o "o pai da literatura fantástica". No entanto, a literatura fantástica não resume-se a só Fantasia. Muitos a classificam como uma classe de diversos gêneros, englobando desde a ficção científica até o horror.


O que me deixa um tanto intrigado é que existe bastante gente que ainda não considera a literatura fantástica como uma "forma de literatura saudável", se é que isso existe. E, vendo-me na posição de um grande fã do gênero que cresceu lendo essa coisa toda, acredito que sinto-me um tanto forçado a defender algumas obras importantes que podem sim fazer muito a diferença para quem as lê. Talvez seja pela forma de como os romances são abordados ou pela imensa quantia de dinheiro que estas obras fizeram com outras formas de entretenimento que não a literatura, mas muitas pessoas veem os textos de literatura fantástica de Fantasia como meros "contos de fadas", parecendo como se todo o ensinamento ou a ambientação de uma obra fantástica pudesse ser resolvido com o famoso jargão "qual é a moral da história?". É claro, há lá os seus lixos, como também há em qualquer gênero e qualquer escritor famoso. E não é preciso ir muito longe para encontrar uma meia dúzia de livros sobre ambientes e universos que não servem nem para uma história de RPG 3DT. 


Não tem como não falar do Tolkien, mais uma vez. Para os críticos do gênero, aposto que metade deles ainda não se deu ao luxo de ler as duas grandes obras do mestre. Ler Tolkien é mergulhar de cara em um dos universos mais vastos e elaborados já feitos. É dar de cara em um texto altamente descritivo, onde o autor com maestria consegue te enfiar para dentro do cenário com a narração de paisagens e batalhas. É perceber que cada personagem no vasto "romance da Terra-Média" possui um propósito, um motivo para ter sido desenvolvido daquela maneira. Um dos exemplos mais simples é a crítica ao machismo na forma dos feitos da jovem Éowyn durante o entrelaçar do "O Retorno do Rei".


E agora temos o famigerado George R. R. Martin. Esse velho com cara de marinheiro acaba de estourar mundialmente tanto com o desenrolar de sua obra "As Crônicas de Gelo e Fogo" quanto a série "Game of Thrones". Dentre as algumas obras medievais e de ficção que eu me deparei, Martin consegue ficar atrás só de Tolkien, e isso por considerar que O Hobbit e O Senhor dos Anéis são obras intocáveis para o estilo, estão acima do que qualquer outro material que poderia ter sido criado, até pelo próprio Tolkien. E vou mais além e digo que Tolkien não encontra-se abaixo de um Herman Melville ou uma Mary Shelley. 

    Sem o lirismo e o heroísmo das obras do Mestre, Martin ilustra nas suas Crônicas um outro universo completamente novo, junto com a uma trama tão realista sobre a sociedade medieval de nossa História. Muitas vezes, tais feitos descritos no livro poderiam de fato terem realmente acontecido, tamanha é o realismo e a característica dos detalhes vivos ali descritos. Com o passar das páginas, fica evidente que toda a formação do universo das Crônicas, suas religiões e a fantasia e mística por trás é só o pano de fundo para um retrato da Idade das Trevas da Humanidade, repleto de intrigas e lutas pelo poder, tanto idelógico quanto político. Tolkien merece seu respeito pela tamanha quantidade de conteúdo e riqueza de detalhes gerados em seu mundo. É uma mitologia inteira criada e devidamente trabalhada, muito mais do que qualquer religião que pinta por ai fazendo a cabeça das pessoas. No entanto, o respeito de Martin se dá devido à descrição de sua sociedade medieval, que engloba desde aspectos de mitologia nórdica e dos costumes dos povos do Norte até os costumes de etnias africanas e asiáticas. Tudo é retratado nas Crônicas, sempre com o retoque do fantástico. Se esses caras são considerados mestres não é só porque tinham uma imaginação mais fértil do que as demais pessoas, mas também por que conseguiram retratar problemas e descrever comportamentos todos à sua moda e à sua forma de pensar, elaborando personagens complexos e cenários mais complexos ainda. Tudo o que um grande escritor precisaria ter para se tornar destaque dentre os demais. 

Uma dica: LEIAM!

1 comentários:

Guilherme Hollweg disse...

Realmente, estou lendo a obra de George R.R. Martin e é maravilhosa.
Também sou fã da mitologia de Tolkien, e li praticamente todas as maiores obras dele, com excessão dos "Contos Inacabados" e dos "Filhos de Húrin" que chagaram há poucas semanas aqui em casa, comprados do submarino. hehehe
Parabéns pela postagem.