Todo mundo que tem uma televisão em casa e uma gota de bom-senso consegue perceber que todo início de ano aqui no nosso glorioso Rio Grande do Sul é recebido com um sol infernal e uma falta de chuvas que se estende até o mês de março, mais ou menos. Quem mora em Santa Maria então já vive calejado por natureza com o calor dos demônios. Todos sabemos disso. Eu, você, os jornalistas e (pasmem) até os nossos governantes. O mais interessente disso tudo é que este fenômeno climático vem se estendendo desde que eu me conheço por gente. Sendo filho de Agrônomo, seria estranho se não houvesse um certo acompanhamento massivo dentro de casa a respeito de notícias que condizem ao comportamento do clima na região. A seca acontece já faz alguns anos. Esta reportagem do site da Embrapa, datada do ano de 2009, já afirmava que o estado convive "há décadas com ciclos de estiagem durante o verão". Em 2009 já tínhamos um severo histórico desde fenômeno, e agora em 2012 -quase 3 anos depois- a coisa se repete. E o que fazer com tudo isso?
Acompanhando os meios de comunicação em massa e confiando na palavra dos nossos competentes jornalistas gaúchos, a única solução que os governos e os produtores rurais parecem afirmar com clareza é a questão da ajuda financeira. O que não é algo ruim e nem ao menos "não-natural". Seria uma incopetência sólida e uma grande perda de capital se o governo não tivesse um pingo de noção em ajudar os produtores prejudicados com as ações da natureza. Esta reportagem do G1 nos mostra quais os municípios que decretaram estado de emergência neste ano como também dá um vislumbre das ações dos nossos governos sobre o assunto. Até aí tudo parece estar "planejado" e "funcionando". Mas todo mundo sabe que o Brasil funciona na base do improviso e a ajuda só vem quando a boia indica uma baixa de 40% do nível da água.
O que parece não estar sendo feito -durante décadas- é a responsabilidade técnica por trás de todo o problema, e olha que eu não sou nenhum profissional no assunto para enxergar pelo menos a ponta do iceberg da situação. A burocracia parece dominar e comandar de forma um tanto irresponsável um distúrbio que é, e sempre foi, um problema de engenharia e um caso de solução técnica. Se não conseguimos mudar o clima da região para uma situação favorável, certamente há lições no passado (como a seca em todos os anos) que nos mostram que outros meios devem ser tomados através de um estudo e uma ciência devidamente aplicada no assunto. Por que não aprender com os estadunidenses do Texas, ou os agricultores e engenheiros de Israel, onde o problema da seca não é nada mais do que uma rotina durante todo o ano? Como será que eles fazem para plantar e dar de comer às pessoas?
É claro que a ajuda financeira nunca deve ser menosprezada. Pelo menos é uma ajuda. O problema é que esta ajuda só vem quando tudo já está se encaminhando para um prejuizo fiscal de milhões de reais. Aqui no sul parecem que são poucas as áreas que se preocupam devidamente com o problema. Se o Texas fica muito longe ou a tecnologia de Israel é muita cara para ser comprada ou estudada, o improviso também vale, desde que de forma consciente e com um certo planejando. Nós temos recursos e capital humano para isso. Cisternas, por exemplo, para armazenar a água de chuvas de inverno, outra situação corriqueira nos meses de junho e julho do nosso estado, poderiam ajudar a combater períodos de seca. O estudo do problema é fundamental. O incentivo fiscal poderia vir antes do período, pois é uma situação já corriqueira. O dinheiro poderia ser utilizado para possíveis construções e soluções que ajudem a combater a situação no futuro, e não para tapar os imensos rombos no orçamento depois que o sol vai à pico. O Brasil sempre teve a faca e o queijo na mão, mas mesmo assim parece ser o país onde se negligenciam problemas, empurra-se tudo para a papelada e assiste-se à uma perda de dinheiro inexpugnável, todo o início de ano. Mais uma vez, viramos o ano com sede e calor.
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